Eu sinto a minha pele, e sinto meus cabelos, sinto o meu corpo, eu não estou aqui!
Não estou dentro de mim da forma que deveria estar, há somente uma parte...
Faltam pedaços da minha essência, falta o que já foi completo no passado...
Há lágrimas em meus olhos, que escorrem como a queda de uma cachoeira, esta é minha queda!
Eu olho em volta, e não há nada que preencha este vazio!
Tudo bem, assumo, eu não sei lidar com perdas, e foi amor o que eu perdi, toda forma de amor, de amar!
Não há nada que preencha a essência que se foi, essência essa que levou consigo todas as partes que faltam em mim...
Eu sinto que nada é agora, como era antes...
Eu faço as mesmas coisas, vivo da mesma forma, mais nada é igual, nada é normal!
Tem uma pedra dentro de mim, uma pedra bem grande que preenche as partes que faltam, mais é duro, é muito duro ter que carregar esta pedra, o que antes era amor, se tornou rocha. Sólida solidão!
Se tornou vício tudo o que tinha, e agora é abstinencia.
Tudo sem sentido, eu me vejo em um mundo vazio, onde tudo é negro, e há uma luz em que me encontro, quando fecho os olhos é tudo que vejo, escuridão!
É diferente dessa vez, eu prometo que vou mudar se tudo voltar a ser como era antes, mais não existe mais algo que retome o antes na minha vida...
Que mesquinho, viver nesse mundo, você tem amor, amigos, felicidade e de repente você não tem nada!
De repente você não é nada!
É assim que funciona um amor que vai durar para sempre, nunca dura!
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Sobre...
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
.Vinícius de Moraes.
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
.Vinícius de Moraes.
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